Cerca de metade de tudo o que uma casa brasileira descarta é matéria orgânica: casca, talo, borra de café, resto de prato. No aterro, esse material se decompõe sem oxigênio e produz metano, um gás de efeito estufa muito mais potente que o gás carbônico. Compostado, o mesmo material vira adubo em poucas semanas.
O que é compostagem
É a decomposição controlada da matéria orgânica por micro-organismos na presença de oxigênio. O resultado é o composto — um material escuro, com cheiro de terra molhada, rico em nutrientes e matéria orgânica.
A regra dos dois materiais
Toda composteira funciona com o equilíbrio entre dois tipos de resíduo:
- Material verde (nitrogênio): restos de fruta e verdura, borra de café, saquinho de chá, grama cortada. É úmido e fermenta rápido.
- Material marrom (carbono): folha seca, serragem, palha, papelão picado, casca de ovo triturada. É seco e estrutura a pilha.
A proporção prática é de duas a três partes de marrom para cada parte de verde. Cheiro ruim quase sempre significa excesso de verde ou falta de aeração.
O que não entra
Carne, peixe, osso, laticínio, óleo, fezes de animais domésticos, resto de comida muito salgada ou temperada, e qualquer material não biodegradável. Esses itens atraem pragas e desequilibram o processo.
Métodos para cada espaço
Vermicompostagem. Caixas empilhadas com minhocas californianas. Cabe em apartamento, não produz odor quando bem manejada e gera também o biofertilizante líquido (o “chorume do bem”, que se dilui em água para regar).
Composteira de pátio. Leiras ou caixas maiores, para casas com quintal, condomínios e escolas. Exige revolvimento periódico.
Compostagem industrial. Para grandes geradores — restaurantes, supermercados, indústria de alimentos. Trabalha com volume, controle de temperatura e prazo definido.
O que fazer com o composto
Vaso de planta, horta, jardim, árvore do passeio. Quem produz mais do que consome costuma doar para vizinhos, hortas comunitárias e escolas. É um resíduo que deixa de ser custo e vira insumo.
Separar orgânico é o passo que mais reduz o peso da lixeira — e, em muitos municípios, o que mais reduz o custo da coleta.