Resíduo de equipamento eletroeletrônico — o REEE, ou e-lixo — é o tipo de resíduo que mais cresce no mundo. E é também um dos mais mal destinados: a maior parte termina em gaveta, em aterro comum ou em desmanche informal sem nenhum controle.
Por que não pode ir no lixo comum
Um aparelho eletrônico reúne, em poucos centímetros, dois extremos:
Substâncias perigosas. Chumbo em solda, mercúrio em telas antigas, cádmio em baterias, berílio em conectores e retardantes de chama bromados nos plásticos. No aterro, esses elementos migram para o solo e para o lençol freático.
Materiais valiosos. Ouro, prata, paládio, cobre e terras raras. A concentração de ouro em uma tonelada de placas de circuito é maior do que em uma tonelada de minério bruto.
O que é considerado e-lixo
- Linha marrom: TVs, monitores, aparelhos de som, câmeras.
- Linha branca: geladeiras, fogões, máquinas de lavar, ar-condicionado.
- Linha azul: liquidificadores, batedeiras, furadeiras, secadores.
- Linha verde: computadores, notebooks, celulares, tablets, impressoras.
- Acessórios: cabos, carregadores, mouses, teclados, HDs e pen drives.
Antes de descartar: apague os dados
Esta etapa costuma ser esquecida e é a mais sensível. Formatar não basta em muitos casos. Para uso doméstico, uma restauração de fábrica com criptografia ativada resolve. Para empresas, o recomendado é contratar destruição física de mídia com certificado de descaracterização, que comprova para a auditoria que nenhum dado deixou a companhia.
Para onde levar
- Pontos de entrega voluntária de fabricantes e varejistas, obrigados por lei a receber.
- Operadoras de telefonia, que mantêm coletores para celulares e baterias.
- Ecopontos municipais.
- Empresas de coleta licenciadas, para volume corporativo.
A obrigação das empresas
A Política Nacional de Resíduos Sólidos coloca os eletroeletrônicos entre os produtos sujeitos à logística reversa obrigatória. Fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes precisam estruturar o retorno dos produtos após o uso. Para quem gera o resíduo, a comprovação da destinação licenciada é exigência de licenciamento ambiental e de auditoria.
Aquele celular parado na gaveta não é inofensivo nem inútil: ele é um pequeno depósito de metais que a indústria precisa — e de substâncias que o solo não deveria receber.